terça-feira, 7 de novembro de 2017

#11 Mónica, Sweetreats


Lembram-se da conversa com a Cláudia, do The Officinalis? Pois bem, a Cláudia nomeou a Mónica, do blog Moniq Sweetreats para conversar com o VEP. E resultou uma conversa tão bonita. Vamos conhecê-la?

* O que mudou (em ti) desde que adoptaste um estilo de vida/alimentação macrobiótica? 


Hmmmm, eu não considero ter um estilo de vida 100% macrobiótico. Não me ‘rotulo’ como macrobiótica, nem como vegan, vegetariana, ou ovolacto… Sou a Mónica e tenho o meu próprio estilo/alimentação, embora a Macrobiótica seja a minha grande inspiração. 

Ora portanto, a macrobiótica, desde que a conheci, há quase 6 anos, tem-me inspirado a viver uma Grande (‘macro’) Vida (‘bio’), uma vida mais grandiosa e, ao mesmo tempo, mais simples! Foi ela que me fez despertar para um estilo de vida mais consciente e sustentável, foi ela que me ajudou a perceber que sou eu a responsável pelas minhas acções, todas elas! E que, essas mesmas acções vão surtir efeitos, não só na minha vida, mas na das outras pessoas, animais e planeta. Foi também ela que me ensinou a flexibilizar mais e a acreditar que tudo está como deve estar (frase da minha querida Geninha Varatojo).

* Como é, então, a tua alimentação?

Acima de tudo, eu como aquilo que realmente me sabe bem, não faço fretes só porque aquilo vai fazer bem à saúde ou porque está na moda. Como porque gosto, porque aquilo que estou a comer me faz feliz. Sim, porque comer faz-me muito Feliz (então cozinhar, isso nem se fala)! O meu objectivo é, acima de tudo, comer aquilo que vem da Terra, sem grandes processamentos, químicos, nem aqueles ingredientes com nomes estranhos). Se aquilo que como puder vir da minha (mini) horta, tanto melhor!

Centro a minha alimentação em cereais integrais, vegetais, algas, leguminosas frutos secos e algumas frutas. Como peixe volta e meia, a maioria das vezes quando vou jantar a casa de alguém. Carne, já não consumo há alguns anos (e, até ao momento, não sinto falta), mas, muito esporadicamente, como um ou outro ovo. Por exemplo, na macrobiótica, para um clima temperado como o nosso, é aconselhado evitar-se a fruta tropical e, mesmo a restante fruta deve ser comida com moderação e de preferência cozinhada. [Pondo as coisas nestes termos: se eu fosse uma macrobiótica ‘a sério’ não deveria comer ‘tanta’ fruta quanto a que como.]


* Como surgiu a macrobiótica na tua vida? Que razões te levaram a mudar de estilo de vida?

Quando entrei para a universidade, comecei a praticar Kundalini Yoga e foi aí, através da minha professora, a Raquel, que conheci a alimentação/estilo de vida macrobióticos. Nessa altura queria engordar (tinha um corpo esguio e magro e, desde que me conheço que gosto de corpos a tender ao cheiinho). E como não engordava de forma alguma com a alimentação dita ‘normal’, resolvi experimentar alimentar o meu organismo com outro género de alimentos, mais limpos por assim dizer. Isto porque, alguma da comida que eu comia antes de mudar de alimentação era aquela comida rápida/processada, ou seja, pouco o meu organismo aproveitava. Quando lhe comecei a dar este género de alimentos, mais simples, limpos e verdadeiros, ele aceitou-os tão bem… Incrível! E continua a aceitá-los e agradece-me todos os dias por isso.

* Que conselhos/dicas darias às pessoas que querem mudar de estilo de vida, para serem mais saudáveis e felizes?

Para mim é essencial ‘limpar’, limpar aquilo que não precisamos, destralhar. Não acumular aquilo que não usamos – sejam roupas, loiças, livros, bijuteria, bugigangas... A verdade é que não precisamos de muito, mas como somos ambiciosos, querermos sempre mais e mais! Libertarmo-nos deste materialismo ajuda-nos a Viver uma Vida mais grandiosa, mais livre e feliz. Eu continuo a aprender isto todos os dias.

Outro aspeto importante: a prática de exercício físico. E, exercício físico não tem de ser ir ao ginásio! Nós fomos desenhados para andar, nós somos movimento! Isto de passar 8h em frente ao computador/tv ou outros gadgets é tramado.

Mas, é importante salientar aqui que, praticarmos exercício físico e estarmos constantemente a moer em pensamentos menos bons ou a fazer julgamentos (sobre nós mesmos ou sobre os outros) não dá com nada. É importante mantermos uma perspetiva otimista perante a vida.

Agora em relação à alimentação:
Para mim, mais do que tirar alimentos da alimentação, é incluí-los. Incluir sementes, porque não? Comer arroz integral? E não precisa de ser todos os dias. Podem estabelecer 1 ou 2 dias por semana para comerem arroz integral, ou outro cereal integral que gostassem de experimentar. Existem tantos e a maioria deles é relativamente fácil de cozinhar. Porque não acompanhar as refeições com vegetais de folha verde (brócolo, nabiças, agriões), ligeiramente cozinhados? Ou fazer um salteado de cenoura e alho francês? A seu tempo, o nosso corpo começará a pedir-nos aquilo que realmente precisa para ficar nutrido e brilhar. E, consequentemente irá desejar menos alguns alimentos que costumávamos comer e que não eram assim tão benéficos para ele (aqueles douradinhos de frango, por exemplo).

Uma outra dica que acho extremamente importante é comer quando se tem Fome, fome de verdade. O nosso organismo não precisa de estar constantemente a ser bombardeado com comida. O sistema digestivo também merece ter o seu descanso.

A mastigação é para mim tão importante como o que coloco na boca. Porque eu até posso estar a comer uma comida toda bio, cheia de ingredientes do bem, mas se a comer em 15 minutos, não irei ter o mesmo resultado que se a mastigasse e saboreasse devidamente. Nutrir o corpo é também mastigar, mastigar e mastigar, até o alimento que antes era sólido virar líquido. E aí sim, poder ser engolido.

Por último: cozinhem! Cozinhem com amor, em paz, afastem os pensamentos menos bons, cozinhem de corpo e alma, presentes no momento. A nossa energia, enquanto cozinhamos, vai passar para os alimentos que estamos a preparar (ninguém vai querer comer um arroz que foi feito cheio de tristeza e angústia, pois não?). A atitude com que se cozinha é tão importante quanto os alimentos que utilizamos. Acredito muito nisto!


* O que te levou a criar o blog - Moniq Sweetreats - e que importância ganhou na tua vida?

O Moniq Sweetreats nasceu porque queria, e quero, partilhar com todos aquilo que me faz feliz, quero partilhar o meu amor pela cozinha, pela comida e pela Vida. Desde que passei a alimentar-me (a palavra certa é ‘nutrir-me’) desta forma que queria muito passar a mensagem de que uma alimentação saudável e baseada naquilo que a Natureza nos dá não é nenhum bicho de sete cabeças, é super saborosa, nutritiva, completa e saciante.

A importância do blogue? Ora… Ele é o meu menino (ainda não tem meio ano de vida, nasceu em setembro deste ano), é um projeto muito meu, que está a crescer. Desde o criar das receitas, a fotografá-las e a escrevê-las no site, amo tudo isto! E tem sido muito gratificante todo este trabalho e o feedback que tenho recebido. Dou graças todos os dias!
O blogue já faz parte do meu dia-a-dia. Aliás, já faz parte da família. Até a avó gosta de ver as receitas no blogue. O irmão é a minha principal cobaia das receitas e adora ser o modelo para segurar as taças e malgas enquanto eu fotografo!

* Nomeia uma pessoa para conversar com o VEP

Eu nomeio a Joana Limão para ser a próxima convidada de honra! :-D

* A receita da Mónica

Fiz este batido no verão passado para a minha irmã, a pessoa mais viciada em batidos que eu conheço, e tornou-se num dos favoritos dela. Espero que gostem tanto quanto ela!


Smoothie de Banana e Sésamo
1 punhado de framboesas (eu usei framboesas amarelas e das normais, daí a cor não ter ficado tão rosa)
1 a 2 bananas da Madeira congeladas
2 colheres de sopa de quinoa cozida (ou flocos de aveia, se não tiverem quinoa)
1 colher de sopa de sementes de sésamo tostadas
Bebida vegetal a gosto

Toppings:
 Maracujá, amoras, framboesas, granola e folhinhas de hortelã.

Juntem tudo no processador de alimentos (ou varinha mágica) e triturem até obter um batido bem cremoso, da consistência que desejarem. Sirvam com os vossos toppings favoritos.
**

Obrigada Mónica pela pela tua abertura, filosofia de vida e generosidade! 

Sem comentários:

Enviar um comentário