quinta-feira, 30 de março de 2017

#7 Débora e Marcos, Leafstyle


Esta conversa é um bocadinho diferente do habitual por vos chegar em modo dupla, uma vez que ainda não tinha conseguido introduzir um casal vegetariano neste espaço. Apesar de a conversa ter sido mais dirigida à Débora, também o Marcos fez parte dela.  Os autores do blog Leafstyle, vieram fazer as honras da casa!

A Débora começou a sua jornada pelo vegetarianismo há cerca de dez anos. O Marcos, motivado por uma aposta com a Débora (de que não conseguiria não comer carne durante um ano) tornou-se vegetariano e já lá vão cinco anos. Hoje, agradece profundamente a aposta que a Débora lhe sugeriu!

Vamos conhecê-los e saber que receita maravilhosa nos trazem?

Não falei com a Débora presencialmente mas foi possível, mesmo assim, que se tornasse numa conversa intimista. Embora, no seu blog, o casal defenda seis princípios básicos para um estilo de vida saudável, é a alimentação que acaba por ter um maior destaque - também porque é o que as pessoas mais questionam e, também, o mais difícil de alterar. Focam-se principalmente nesta parte da alimentação, defendendo um regime alimentar livre de produtos de origem animal, sem açúcar refinado e o mais natural possível, o grande objectivo passa pela disponibilização de informação credível sobre o estilo de vida saudável para a população comum, baseada em artigos científicos e especialistas de diversas áreas. Esta ideia surgiu quando perceberam que as pessoas já não sabem para onde se virar com tanta "desinformação" disponibilizada na Internet sobre o conceito de ser, ou não, saudável.

- O que mudou desde que te tornaste vegetariana/vegan?

A consciência ficou muito mais leve a partir do momento em que deixei de comer carne/peixe, mas as grandes mudanças aconteceram quando excluímos por completo também os lacticínios e os ovos e aumentámos o consumo de vegetais (muita fruta, muita couve, muitas leguminosas…) em detrimento dos alimentos refinados e processados. Passámos a ter uma saúde de ferro! Ficamos doentes com menos frequência, mas quando ficamos, os sintomas são mais ligeiros e desaparecem em menos tempo do que antes. Também sentimos muito mais energia (ficámos fãs do Insanity já depois de só comermos “erva”), o que contraria o que se costuma dizer de que comer só vegetais não alimenta. Diminuíram as dores de cabeça, a pele ganhou mais elasticidade e até a disposição melhorou, apesar das constantes críticas/piadas de conhecidos e amigos.
Nem sempre é fácil conseguirmos ir contra o que é considerado “normal”, mas a verdade é que estas dificuldades também nos ajudaram a moldar o nosso carácter e a tornar-nos mais confiantes nos nossos princípios.


- Que razões te levaram a mudar de estilo de vida?

Sempre gostei muito de animais. Desde muito nova que me metia com todos os animais que via na rua, fossem grandes ou pequenos. Aliás, com cerca de dois anos consegui escapar de casa para ir brincar na rua com… uma pomba. Cães, gatos, cabras, cavalos…até às sardaniscas achava graça. Por volta dos 14 anos, numa conversa entre amigos, falou-se sobre a crueldade que é matar um animal, que ainda por cima é obrigado a viver em condições deploráveis, apenas para satisfação do nosso paladar. Essa ideia não me saiu mais da cabeça, e a partir desse dia deixei de comer carne ou peixe. Não me fazia sentido que, havendo outras opções, animais tivessem de morrer por minha causa. Passou até a ser um pouco doloroso pensar na minha culpa na morte destes animais inocentes. Eu sei que não matam um animal de propósito por causa do pedaço que eu comeria (muita gente fez questão de o dizer), mas pelo menos deixo de ter a responsabilidade e a culpa por essa morte.
E esta foi a minha primeira motivação para entrar no mundo do vegetarianismo: o amor pelos animais. 
Apesar do Marcos também adorar animais, o que o levou a tornar-se ovo-lacto-vegetariano (supostamente só por um ano) foi o orgulho! Os nossos amigos diziam que os vegetarianos eram uns fraquinhos por não comerem carne… então eu aproveitei a deixa e desafiei o Marcos. Disse-lhe que ele é que era fraco demais para se conseguir aguentar um ano sem comer carne ou peixe. O desafio foi aceite a começar no dia 01.01.2011 e a terminar no dia 01.01.2012. O Marcos comeu a carne toda que quis até às 23h59 de dia 31.12.2010 e afirmou, confiante, que às 00h de dia 01.01.2012 ia comer picanha…
Mas cerca de 10 anos depois de eu me ter tornado ovo-lacto-vegetariana (com algum peixe à mistura para fugir à típica omelete sempre que comia fora), e depois do Marcos estar lançado no desafio, começámos os dois a olhar para a alimentação como parte fundamental da nossa saúde. Começámos, juntos, a investigar mais sobre o efeito de certos alimentos no nosso corpo e apaixonámo-nos pelo mundo da informação - credível e científica - sobre estilo de vida saudável (que não se resume à alimentação, embora esta tenha um grande impacto). E afinal de contas o ano de 2012 não foi o de o Marcos voltar à carne, mas sim o de abandonarmos também os lacticínios, os ovos, o açúcar e os alimentos altamente processados, além de fazermos mais exercício, dormirmos mais cedo, bebermos mais água, tornarmo-nos mais confiantes.


- O que dirias às pessoas que gostavam de ser vegetarianas mas têm medos, dúvidas?

Ser vegetariano é bom! É bom para o planeta, é bom para os animais, mas acima de tudo é bom para a tua saúde. E se tens a possibilidade de melhorar a tua saúde, porque esperar acumular “maleitas” ou até chegar a ter uma doença grave, para fazer mudanças na alimentação? Porque passar os dias a depender de medicamentos para tudo e mais alguma coisa, quando é possível evitar a necessidade de os tomar ou deixar de precisar deles?
No entanto, para se ser vegetariano e saudável, é importante estar-se consciente e certo das mudanças alimentares que têm de ser feitas. 
Ao longo do nosso percurso na busca de um estilo de vida saudável, percebemos que existe MUITA desinformação e confusão sobre alimentação. E no meio de tanta coisa é difícil de perceber o que é verdadeiro e fundamentado, ou o que é opinião própria ou marketing de venda.
Foi por isso que decidimos criar o leafstyle.pt, para que a informação que vamos recolhendo para nós, esteja disponível e acessível a todos. Antes de tomarmos a decisão de incluir/excluir alguma coisa do nosso estilo de vida, procuramos a fundo a informação disponível, e seguimos aquilo que está fundamentado em estudos científicos.
Nós aconselhamos sempre que ninguém mude o que quer que seja apenas porque alguém disse, mas que procure por si próprio o porquê de mudar e quais os prós/contras, antes de tomar uma decisão. Sejamos críticos perante a avalanche de (des)informação que se encontra na internet e não aceitemos tudo como verdade.


- Que dificuldades encontras no teu dia a dia, enquanto vegetariana?

Apesar de cada vez mais se falar de vegetarianismo, ainda não é fácil ser-se vegetariano sem que alguém nos rotule de esquisitos e faça a típica pergunta “onde vais buscar a proteína?”
Hoje em dia já é mais fácil comer fora de casa, porque começam a existir cada vez mais restaurantes vegetarianos de qualidade e alguns restaurantes gerais começam a ter pelo menos uma opção vegetariana. No entanto, ainda existem locais onde a única opção disponível é uma mini dose de sopa e de salada de alface e tomate… normalmente nos restaurantes escolhidos para jantares de amigos (nunca deixam os esquisitos escolher). 
Tomar o pequeno-almoço ou lanche fora de casa também é uma aventura que desistimos de ponderar. Para onde quer que vamos acabamos por levar o nosso kit de fruta, frutos secos, sementes, leite vegetal, cereais integrais… 
Quando comemos em casa de amigos levamos sempre a nossa “marmita”, que normalmente desaparece antes de ficarmos saciados (todos querem provar a comida dos esquisitos, e nós acabamos a ver os outros comer).
Mas tudo isto vale a pena, porque a pouco e pouco vamos também influenciando, de alguma forma, aqueles com quem lidamos, e pode ser que um dia ser esquisito se torne o “normal”.

- Opcional: Contar uma história engraçada/caricata desde que és vegetariana.

Já passámos por várias situações caricatas (algumas até diria aberrantes) no que diz respeito ao nosso regime alimentar, mas a mais espontânea e crua aconteceu quando andávamos à procura do local para o nosso casamento. Visitámos o bar Lorosae, na praia de S. João da Caparica e ao falar com a responsável, quando dissemos que a ementa seria ovo-lacto-vegetariana, a senhora disse-nos “Vegetariano? Os convidados vão todos afogar as mágoas na bebida!”. Pois…pequeno pormenor, também não haveria bebidas alcoólicas. “Que seca de casamento!” foi a resposta pronta da senhora. Ficou decidido no momento que aquela não seria a nossa escolha.

Bolachas de Cacau e Avelã sem Açúcar by Débora e Marcos



200 g Tâmaras
4 a 6 c. sopa Água
300 g Avelãs Torradas
2 c. sopa Cacau
3 a 4 c. sopa Farinha de Aveia (ou flocos de aveia triturados)

Tritura as tâmaras descaroçadas com a água, até ficar uma pasta cremosa.
Tritura as avelãs até fazer uma farinha grosseira com alguns pedaços (cuidado para não ficar "manteiga").
Junta a pasta de tâmara com as avelãs e o cacau e envolve bem.
A mistura deve ficar húmida, por isso vai adicionando a farinha de aveia até que consigas moldar bolinhas, sem pegar às mãos.
Coloca as bolinhas num tabuleiro forrado com papel vegetal, achata-as ao centro e leva ao forno a 175º por 10 minutos

Obrigada Débora e Marcos! :)

1 comentário:

  1. Parabéns ao Marco e à Débora por esta escolha cruelty free e mais saudável, as bolachinhas devem ser uma delícia, a experimentar.

    ResponderEliminar