sábado, 7 de maio de 2016

Sábado verde no IMP


Um sábado diferente, de inspiração, de partilha e de refeições bonitas e saudáveis (e tão boas). Foi assim o workshop de Iniciação à Cozinha Macrobiótica Saudável, no Instituto Macrobiótico, no passado sábado. Um workshop oferecido pela minha querida prima que sabe tão bem o que gosto. E valeu mesmo a pena. (O único ponto negativo desta experiência, foi mesmo a minha máquina fotográfica ter achado que precisava de férias).
Afinal, o que é a macrobiótica? Existe ainda alguma confusão, ou até falta de informação, em relação a este modo/filosofia de vida e confesso que, eu própria, também não estou 100% dentro do assunto. De qualquer forma, espero conseguir explicar-vos o melhor que conseguir (adaptado de: Mente Sã, Corpo São de Francisco Varatojo; Tudo o que Comemos Conta, de Geninha Varatojo; Nutricionista.com.pt).

A "macrobiótica" significa grande vida (macro + bio), traduzindo a necessidade de adoptarmos uma vida orientada para o equilíbrio, nos mais diversos sentidos. É uma concepção de vida que procura ajudar o organismo a integrar-se no sistema ecológico a que pertence, adequando os alimentos energicamente segundo as necessidades individuais, tendo em conta o sexo, a idade, a condição física e o estado de saúde de cada um. Segundo esta filosofia, devemos dar primazia aos alimentos produzidos de acordo com as estações do ano, de forma a não pôr em causa o equilíbrio da natureza. É saber interagir em harmonia e de uma forma consciente com o meio que nos rodeia, respeitar o alimento e não agredir o ambiente.

O padrão macrobiótico considera que os alimentos principais (aqueles que devem ser utilizados diariamente) são os cereais integrais (e não refinados), os vegetais e as leguminosas. A carne, os ovos ou os lacticínios são considerados alimentos opcionais, podendo ser utilizados como transição, de forma esporádica ou, simplesmente, retirados da alimentação. O açúcar é totalmente proibido.
A título de curiosidade, este padrão também nos diz que, num clima temperado como o nosso, não se devem utilizar regularmente vegetais da família das solanáceas, nomeadamente tomate, batata ou beringela, nem frutos de origem tropical pelo facto de apresentarem substâncias denominadas alcalóides que podem provocar problemas digestivos, musculares, de pele entre outros.

Assim, entre os alimentos de uso diário, podemos destacar:
Cereais Integrais - arroz integral, cevada, millet, trigo;
Pão - centeio, aveia, milho, trigo-sarraceno;
Vegetais - abóbora, agrião, alho, alho francês, brócolos, cebolas, cenouras, cogumelos shitake, couve, pepino, rabanete/rábano, nabo;
Leguminosas e derivados - tofu, tempeh, miso e natto;
Algas - wakame, kombu, nori, agar-agar, aramé, hiziki;

De acordo com a filosofia macrobiótica, é o dinamismo Yin Yang que nutre o nosso organismo e não as calorias. 


A verdade é que saí deste workshop com uma sensação tão boa. Ser macrobiótico, vegetariano ou vegan é muito mais do que como nos alimentarmos. É, acima de tudo, uma filosofia de vida, refletindo-se em tudo o que fazemos. É respeitar o alimento, a natureza, os outros e a a nós próprios. Só quem esteve no workshop, percebe o que digo quando falo do modo como a Geninha Varatojo nos transmite tudo o que nos ensina, a energia com que o faz e como isso cativa as pessoas que a rodeiam. Quer sejam mais ou menos cépticos, mais ou menos receptivos a este modo de vida garanto-vos que uma manhã no IMP vos vai surpreender muito!

Tudo na cozinha macrobiótica me inspirou - desde as cores do prato, aos sabores, à energia que a comida transmite (sim, acreditem que transmite!). A simplicidade é, também, uma regra de ouro. Às vezes os pratos mais simples são aqueles que nos sabem melhor e que nos fazem realmente bem.


Ter uma alimentação considerada "diferente" pode ser um bocadinho solitário e às vezes sinto que me vêem um bocadinho como uma pessoa à parte - atrevo-me a dizer que sou alvo de curiosidade em praticamente todas as refeições que faço com pessoas não vegetarianas. Não é que seja mau. Mas sabe bem almoçar ou jantar sem ter os olhos postos em mim! Estas iniciativas e workshops (nunca tinha ido a nenhum) sabem bem por se poder partilhar opiniões e, apesar de nem todos terem uma alimentação 100% vegetal, estamos todos ali para aprender a mudar os nossos hábitos alimentares, qualquer que seja a razão - por uma questão ética ou por uma questão de saúde.

Bem.. Curiosos para saber o menu?

Estufado de grão com legumes e coentros, arroz integral, rolinhos de couve recheados com cenoura, pepino e manteiga de amendoim, kimpira de cenoura e limão, rabanetes com vinagre e ameixa e couve com molho vinagrete.




E, para terminar, doce de maçã com agar agar.

Fica apenas a faltar a fotografia da deliciosa sopa de lentilhas (das melhoras sopas que comi até hoje!). Estou desejosa de fazer algumas destas receitas e de as partilhar no blog. Ah, e mal posso esperar pelo próximo workshop! 
Instituto Macrobiótico de Portugal
Rua Anchieta, 5 - 2º Esq.
1200-023 Lisboa
21 324 22 90
E-mail: info@institutomacrobiotico.com

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